quinta-feira, 24 de julho de 2014

A maioria dos inimigos da criação estão dentro de você.



   Fonte: facebook.com/ativo
Não olhe para fora, olhe para dentro. Se suas ideias andam indo para a gaveta, talvez você não esteja se ajudando.
Criar é reorganizar ideias. Rearranjar, recombinar, como queira. Mas, se pensarmos bem, esse é ofício. Pegar duas, três ou mais informações que já existem, jogar dentro de uma espécie de “mixer” cerebral, as coisas se combinam de outra forma ou de outro ponto de vista, e pronto, sai uma ideia original.

Não é um processo fácil. Criar, não importa se sozinho ou no meio de um ou de várias pessoas, é uma atividade solitária, e por isso, muito difícil. Então, quando nós saímos com uma boa ideia, aliviados, devemos respirar fundo.

Com o tempo, o amadurecimento e mais uma série de outras coisas, nos damos conta de que a coisa não é bem por aí. Talvez o pior inimigo daquela ideia que foi para o cliente sejamos nós. Talvez ela tenha nascido morta, e não nos tenhamos dado conta disso. Assim como é solitária, criação também é paixão. E paixão, que os poetas românticos não me deixem mentir, costuma cegar.

Pare e pense: talvez o processo de “reorganizar ideias” que gerou aquela última, tenha rolado meio duro, travado, e você nem tenha percebido. Talvez nem tenha sido uma “reorganização” que mereça esse nome. Ou talvez tenha sido um rearranjo meio freio de mão puxado. Por que?

Somos seres humanos. Apaixonados pelo que fazemos, mas não somos de ferro nem à prova de balas. E, se você pensar bem, o criativo é um cara que acaba ouvindo mais nãos do que sim durante sua vida profissional. É preciso muitooooo equilíbrio.

O dia a dia vai criando uma carga que vamos arrastando, e que está sempre lá, fazendo peso, quando entramos na solitária atividade de “reorganizar ideias”. Por vezes, chega a comprometer o resultado. É preciso ficar atento a essa carga e, de tempos em tempos.

1. Medos. “Caramba, isso não deu certo uma vez”. Em outro contexto, outra situação, outros clientes, com outra equipe. Use o medo a seu favor, tenha juízo, mas mantenha-o sobre controle. Escolha uma determinada situação que parecer mais confortável, feche os olhos, prenda a respiração e se jogue, quer dizer, tente de novo aquilo que não deu certo uma vez . Sem arriscar psicologismos de botequim, a melhor maneira de anular uma experiência negativa é uma experiência positiva.

2. Referências. Referência é muito útil, mas tem um pouco de ler e-mail de seis meses atrás. É sedutor, a gente até revive algumas emoções boas, mas aquilo já foi. E talvez o mais grave é que, com o acúmulo de referências boas, a gente acaba criando uma carga crítica muito pesada de se carregar. Se nada do que pensarmos for parecido, ou estiver naquele nível, não serve. Lembre-se: referência está lá para ajudar. Se estiver atrapalhando, delete.

3. Critérios estabelecidos. Em qualquer atividade humana, estabelecem-se critérios do que é bom ou ruim. Isso é útil, mas tem uma hora que vira zona de conforto. Se estou fazendo algo que é considerado bom pelo critério vigente, tá ótimo, ou não tá não. Os verdadeiros pontas de lança de qualquer indústria são aqueles que estão estabelecendo novos critérios. Fique sempre atento para ver se o check-list mental que você usa ainda está valendo. Se perceber que ele está ficando velho, delete – da cabeça, mas principalmente do coração, que é a parte mais difícil.

4. Expectativas exageradas. Sonho é uma coisa, realidade é outra. A gente enche a cabeça, ao longo de toda a vida profissional, com o desejo de ser reconhecido, premiado, trabalhar na melhor empresa, ganhar o melhor salário etc. Quando vamos começar a “reorganizar ideias” tudo isso tá lá, enchendo a caixa. E você precisa de espaço pra trabalhar. Delete tudo isso. Vai acontecer ou não, em consequência do que você fizer com seu trabalho. Então, faz todo o sentido do mundo dedicar toda a sua inteligência a ele, e não a dúvidas.

Da próxima vez que alguma ideia for para a gaveta, pare, pense e seja sincero, se o medo, o excesso de referências, a subserviência aos padrões ou a preocupação mais com o seu umbigo do que com o problema não foram os responsáveis. Nesse caso, você vai descobrir que quem reprovou a ideia foi você, somente você!




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