Caio Parente Bacharel em Relações Públicas - comunicação social, Formado
pela Universidade Metodista de São Paulo em 2011. Teve breve passagem, de
agosto de 2011 a Janeiro de 2012, pela multinacional Serasa Experian, não
atuava especificamente na área de comunicação da instituição, porém lidava
diretamente com consumidores e clientes, além do público interno da empresa, o
que enriqueceu muito o conhecimento sobre o relacionamento “instituição x
públicos”. Há dois anos Assessor de
imprensa na agencia Sylvio Novelli
Assessoria em Comunicação. Clientes e eventos : SESC São Paulo –
eventos: Sesc Verão 2013 e 2014, Semana Move Brasil 2014, Mirada 2012 e 2014
(Festival Ibero Americano de Artes Cênicas de Santos), FENTEPP 2014 (Festival
Nacional de Teatro de Presidente Prudente) e Circuito Sesc de artes 2014, entre
outros.
FLIV 2014 – Festival Literário de Votuporanga
Theatro São Pedro – Temporada 2015 de óperas
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil – Exposição “Visões na coleção
Ludwig”(2014)
Atualmente responsável pela Assessoria de imprensa da MLB (Major
League Baseball), liga profissional americana de beisebol no Brasil.
1.
Na sua opinião, atualmente qual é o maior desafio e
a maior facilidade do profissional de relações públicas no mercado?
Apesar da
nítida mudança de comportamento das corporações diante da expansão das redes
sociais e da maior proximidade e até “intimidade” das empresas com a sociedade,
o maior desafio continua sendo posicionar-se no mercado de trabalho, ainda que
a profissão já tenha uma historia de quase 50 anos no país, as instituições
ainda dedicam pouco de seus departamentos para as relações públicas e suas
faculdades, em muitos casos o profissional se vê exercendo muito mais o papel
de publicitário do que de RP.
A maior
Facilidade, com certeza, são os meios de mensagem que atualmente tem alcance
global, interatividade instantânea e informação por todas as partes, sabendo
equilibrar e filtrar essas doses excessivas de noticias em tempo real a
comunicação de mão dupla acaba acontecendo quase que espontaneamente e de
maneira muito eficaz, basta um bom planejamento e responsabilidade na hora de
disseminar a mensagem, as ferramentas estão ai e com acesso para todos.
2.
Atualmente onde você trabalha?
Assessor de imprensa da Sylvio Novelli Assessoria
em Comunicação
3.
Qual deve ser a
principal característica de um bom profissional de comunicação?
Não há UMA característica principal,
existem conceitos básicos importantíssimos da comunicação, para simplificar dou
como exemplo um jornalista responsável por escrever uma matéria investigativa.
É preciso pesquisar e estudar profundamente o assunto abordado, passar a
informação com neutralidade e responsabilidade lembrar que a informação sempre
vem antes da sua opinião.
É necessário ser ético, transparente,
observador, estudioso, saber lidar com situações adversas (é o que mais vai
acontecer, sobretudo com nossa cultura de não respeitar o que fora acordado
previamente), além de sempre estar ligado no que acontece ao seu redor (hoje em
dia seu “redor” é praticamente o mundo inteiro). O comunicador completo precisa
acompanhar e ler de tudo um pouco, o que gosta e o que não gosta isso é
essencial para entender o meio social no qual está inserido e como agir em cada
ocasião, seja num gerenciamento de crise ou numa simples publicação em redes
sociais.
4.
- Foi difícil a escolha em cursar Relações
Públicas? O que te motivou?
Foi tranquilo, já na escola dava
mostras de que a comunicação seria o destino provável, péssimo em exatas e com
certa vocação para escrever, me manifestar em público e ser proativo para ações
extracurriculares, os professores sempre diziam que devia procurar algo na área
de comunicação social para estudar na universidade. A partir dessas dicas
comecei a me informar sobre a área, participar de palestras e feiras de
estudantes e foi numa dessas feiras que conheci o curso de Relações Públicas me
identifiquei e cá estou formado há três anos.
5.
Qual a sua visão
em relação à profissão no Brasil?
Como respondi na primeira pergunta,
ainda há o problema de posicionamento, obviamente não acontece nas agencias de
comunicação e RP, mas nas grandes empresas o profissional de RP hoje exerce funções
mais ligadas ao jornalismo, marketing e publicidade. Claro que todas são
pertencentes à área de comunicação, mas são diferentes, o jornalismo informa
(hoje mais opina que informa), o marketing estuda se o produto ou serviço
interessarão possíveis consumidores, a publicidade divulga a ideia associada a
marca e as Relações Públicas devem trabalhar no equilíbrio dessas três frentes
alem de como elas podem afetar no relacionamento com o universo da empresa.
Enfim, o profissional de RP deve estar diretamente ligado a todas as frentes da
comunicação para que ela seja bem feita, assim como atuar próximo a tomado de
decisão. É sempre bom lembrar que uma instituição tem como público; Funcionários,
clientes, consumidores, fornecedores, acionistas, “vizinhos” e todos com voz
ativa e possivelmente “viralizada” nas redes sociais. Portanto é necessário que
haja uma valorização da profissão aqui no Brasil, a começar pelos estudantes e
universidades, ainda somos o “underdog” da comunicação, apesar de ser
extremamente importante nos países considerados de primeiro mundo e emergentes,
quem nunca ouviu a pergunta mais irritante e freqüente para um RP “legal, mas o
que é Relações Públicas mesmo?” - Tudo
bem que a nossa profissão seja tambem conhecida por atuar atrás dos holofotes
mas há de ser reconhecida por isso. O profissional de RP atuando de maneira
estratégica junto aos departamentos do topo da empresa (responsáveis pelas
decisões) é o que possui as melhores ferramentas para manter o bom
relacionamento “público x empresa”. (Aqui no Brasil ainda vemos muitos
casos de Advogados que falam pelas empresas falam apenas amparados pela lei,
mas nunca algo que a “sociedade” (envolvidos) precise ouvir, sobretudo em casos
de crise quando os porta-vozes somem, quando na verdade deveriam aparecer
amparados pelo profissional de RP e tambem pela parte jurídica e explicar
processos e acontecimentos, algo que realmente vá informar aos interessados.
6.
- Você passou por alguma experiência muito
marcante ao longo da sua carreira como profissional de Relações Públicas?
Passei algumas, nenhuma MUITO marcante que me lembre
agora, mas as grandes experiências com falhas na comunicação vivi justamente
quando ainda não trabalhava na área e sim na base da pirâmide institucional da
multinacional citada no perfil. As falhas ocorriam tanto para o público
interno, quanto para o externo, Havia ruídos intensos e massivos na comunicação
interna da empresa. Fui contratado pela sede, que fica em São Paulo, para
emitir certificados digitais (novidade aquela época, espécie de Documento
eletrônico que lhe garante algumas facilidades de assinaturas eletrônicas e
obrigatório para pessoas jurídicas com determinado faturamento e tambem para
profissionais da área do direito, saúde etc. Veja que até hoje não sei explicar
direito) por todo país onde tivesse uma demanda de emissões maior do que as
agencias poderiam atender, então me deslocava para ajudar nesses postos. Passei
semanas em Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Barueri e também realizei
atendimentos na sede em São Paulo. O processo é controlado pela Receita
Federal, super-rígido, e deveria ser o mesmo em todas as localidades, qualquer
erro de digitação ou de falta de documentação causava cancelamento do
certificado e transtorno para o (geralmente) empresário que era obrigado
acompanhar todo processo para assinar o documento diante do testemunho dos
agentes de registro (eu), ai começa o problema. Quando eu disse q o processo
DEVERIA ser o mesmo em todos os lugares, é porque isso não saia de jeito nenhum
dos vários arquivos de slides passados pelas camadas superiores e burocráticas
da “organização”. Cada praça havia sua maneira de trabalhar com seus critérios
e exigências, o que para mim era ruim, pois eu mudava de lugar constantemente.
E sempre tinha “porque você faz assim? - aqui é diferente” e claro, o lugar era
diferente mas o processo deveria ser igual. Fora quando de um dia para o outro
dependendo do tipo de certificado, mudavam as recomendações sobre documentos
obrigatórios e não obrigatórios a serem levados pelos clientes e seus
contadores, e por conta desse deslocamento de agentes nem sempre as infos
chegavam a tempo as nossas mãos, então os certificados eram emitidos de maneira
incompleta. Para se ter uma noção eu fiquei cerca de cinco meses na empresa e
fui ter email para receber essas infos em meados de dezembro (comecei a
trabalhar dia 3 de setembro depois de passar por treinamentos). Alem disso, os
clientes que compravam o certificado nem sabiam o que estavam fazendo lá,
sabiam que tinham que comprar e ir assinar alguma coisa. Isso a grande maioria
que quando saia continuava sem entender porque tinha que fazer aquele “cartão”.
Sem contar as viagens perdidas, muitas vezes tínhamos que mandar os clientes
remarcar a emissão, pois faltava algum documento ou o sócio que deveria assinar
em conjunto (eu cheguei a remarcar da mesma pessoa por duas vezes, eu pedia “x”
documento, remarcava ai o cliente consultava o atendimento por telefone que
dizia o contrario e ai o impasse estava feito e o certificado não emitido). Não
sei como é a situação hoje, deve ter melhorado, até porque se tem mais
conhecimento do serviço e mais concorrência, mas esse é um mal exemplo de
gestão de comunicação que afetava o processo no qual eu estava envolvido, mas
vai muito mais além, parecia e acho que até hoje não há preocupação em relação
a imagem da marca, essa primeira parece boba mas fizeram questão de deixar
claro quando éramos chamados para entrevista, o gênero da empresa é feminino
portanto refiram-se como “A” e ainda é conhecido “O” Serasa, alem de ser uma
enorme instituição privada com vários produtos e serviços que acham que é o SPC
e apenas uma “analise de crédito”.
7.
O mercado de trabalho está cada vez mais
exigente. Qual conselho você daria para os futuros Relações-Públicas?
Na terceira pergunta dei conselhos
valiosos para ser um bom profissional de comunicação, alem daquilo ficariam
dicas piegas que servem apenas para as ridículas, inúteis e arcaicas dinâmicas
de grupo ainda aplicadas pelas empresas no seu processo seletivo.
Então mandarei uma dica para o
estudante que quer ser profissional e realmente fazer o que gosta e gostar do
que faz. Nós temos problemas sérios educacionais hoje quanto à estrutura das
instituições de ensino, porém o ideal é sempre usar o estudo como fonte
inesgotável de conhecimento, leia, se informe, o mundo vai muito alem do seu
umbigo e do que seus pais um dia te convenceram que era certo e errado. A
faculdade não é escada social, ela não dever servir apenas para esse incessante
desejo de sermos ricos, ganhar fortunas, (ainda mais estudando comunicação,
convenhamos), assim como a escola não deveria servir apenas para obrigatoriedade
de passar no vestibular. Independente da área a ser seguida, é importantíssimo
estudo de Sociologia, Historia, Filosofia e Direto, é preciso atender as
demandas da sociedade para ser um bom profissional alem de que quanto mais
expertise nessas faculdades mais respeito e condições de alcançar seus
objetivos terá.

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