quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Entrevista com Caio Parente


Arquivo Pessoal

Caio Parente Bacharel em Relações Públicas - comunicação social, Formado pela Universidade Metodista de São Paulo em 2011. Teve breve passagem, de agosto de 2011 a Janeiro de 2012, pela multinacional Serasa Experian, não atuava especificamente na área de comunicação da instituição, porém lidava diretamente com consumidores e clientes, além do público interno da empresa, o que enriqueceu muito o conhecimento sobre o relacionamento “instituição x públicos”. Há dois anos Assessor de imprensa na agencia Sylvio Novelli Assessoria em Comunicação. Clientes e eventos : SESC São Paulo – eventos: Sesc Verão 2013 e 2014, Semana Move Brasil 2014, Mirada 2012 e 2014 (Festival Ibero Americano de Artes Cênicas de Santos), FENTEPP 2014 (Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente) e Circuito Sesc de artes 2014, entre outros.
FLIV 2014 – Festival Literário de Votuporanga
Theatro São Pedro – Temporada 2015 de óperas
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil – Exposição “Visões na coleção Ludwig”(2014)
Atualmente responsável pela Assessoria de imprensa da MLB (Major League Baseball), liga profissional americana de beisebol no Brasil.


1.      Na sua opinião, atualmente qual é o maior desafio e a maior facilidade do profissional de relações públicas no mercado?
Apesar da nítida mudança de comportamento das corporações diante da expansão das redes sociais e da maior proximidade e até “intimidade” das empresas com a sociedade, o maior desafio continua sendo posicionar-se no mercado de trabalho, ainda que a profissão já tenha uma historia de quase 50 anos no país, as instituições ainda dedicam pouco de seus departamentos para as relações públicas e suas faculdades, em muitos casos o profissional se vê exercendo muito mais o papel de publicitário do que de RP.
A maior Facilidade, com certeza, são os meios de mensagem que atualmente tem alcance global, interatividade instantânea e informação por todas as partes, sabendo equilibrar e filtrar essas doses excessivas de noticias em tempo real a comunicação de mão dupla acaba acontecendo quase que espontaneamente e de maneira muito eficaz, basta um bom planejamento e responsabilidade na hora de disseminar a mensagem, as ferramentas estão ai e com acesso para todos.

2.      Atualmente onde você trabalha?
Assessor de imprensa da Sylvio Novelli Assessoria em Comunicação

3.      Qual deve ser a principal característica de um bom profissional de comunicação?
Não há UMA característica principal, existem conceitos básicos importantíssimos da comunicação, para simplificar dou como exemplo um jornalista responsável por escrever uma matéria investigativa. É preciso pesquisar e estudar profundamente o assunto abordado, passar a informação com neutralidade e responsabilidade lembrar que a informação sempre vem antes da sua opinião.
É necessário ser ético, transparente, observador, estudioso, saber lidar com situações adversas (é o que mais vai acontecer, sobretudo com nossa cultura de não respeitar o que fora acordado previamente), além de sempre estar ligado no que acontece ao seu redor (hoje em dia seu “redor” é praticamente o mundo inteiro). O comunicador completo precisa acompanhar e ler de tudo um pouco, o que gosta e o que não gosta isso é essencial para entender o meio social no qual está inserido e como agir em cada ocasião, seja num gerenciamento de crise ou numa simples publicação em redes sociais.

4.      - Foi difícil a escolha em cursar Relações Públicas? O que te motivou?
Foi tranquilo, já na escola dava mostras de que a comunicação seria o destino provável, péssimo em exatas e com certa vocação para escrever, me manifestar em público e ser proativo para ações extracurriculares, os professores sempre diziam que devia procurar algo na área de comunicação social para estudar na universidade. A partir dessas dicas comecei a me informar sobre a área, participar de palestras e feiras de estudantes e foi numa dessas feiras que conheci o curso de Relações Públicas me identifiquei e cá estou formado há três anos.

5.      Qual a sua visão em relação à profissão no Brasil?
Como respondi na primeira pergunta, ainda há o problema de posicionamento, obviamente não acontece nas agencias de comunicação e RP, mas nas grandes empresas o profissional de RP hoje exerce funções mais ligadas ao jornalismo, marketing e publicidade. Claro que todas são pertencentes à área de comunicação, mas são diferentes, o jornalismo informa (hoje mais opina que informa), o marketing estuda se o produto ou serviço interessarão possíveis consumidores, a publicidade divulga a ideia associada a marca e as Relações Públicas devem trabalhar no equilíbrio dessas três frentes alem de como elas podem afetar no relacionamento com o universo da empresa. Enfim, o profissional de RP deve estar diretamente ligado a todas as frentes da comunicação para que ela seja bem feita, assim como atuar próximo a tomado de decisão. É sempre bom lembrar que uma instituição tem como público; Funcionários, clientes, consumidores, fornecedores, acionistas, “vizinhos” e todos com voz ativa e possivelmente “viralizada” nas redes sociais. Portanto é necessário que haja uma valorização da profissão aqui no Brasil, a começar pelos estudantes e universidades, ainda somos o “underdog” da comunicação, apesar de ser extremamente importante nos países considerados de primeiro mundo e emergentes, quem nunca ouviu a pergunta mais irritante e freqüente para um RP “legal, mas o que é Relações Públicas mesmo?” -  Tudo bem que a nossa profissão seja tambem conhecida por atuar atrás dos holofotes mas há de ser reconhecida por isso. O profissional de RP atuando de maneira estratégica junto aos departamentos do topo da empresa (responsáveis pelas decisões) é o que possui as melhores ferramentas para manter o bom relacionamento “público x empresa”. (Aqui no Brasil ainda vemos muitos casos de Advogados que falam pelas empresas falam apenas amparados pela lei, mas nunca algo que a “sociedade” (envolvidos) precise ouvir, sobretudo em casos de crise quando os porta-vozes somem, quando na verdade deveriam aparecer amparados pelo profissional de RP e tambem pela parte jurídica e explicar processos e acontecimentos, algo que realmente vá informar aos interessados.

6.      - Você passou por alguma experiência muito marcante ao longo da sua carreira como profissional de Relações Públicas?
Passei algumas, nenhuma MUITO marcante que me lembre agora, mas as grandes experiências com falhas na comunicação vivi justamente quando ainda não trabalhava na área e sim na base da pirâmide institucional da multinacional citada no perfil. As falhas ocorriam tanto para o público interno, quanto para o externo, Havia ruídos intensos e massivos na comunicação interna da empresa. Fui contratado pela sede, que fica em São Paulo, para emitir certificados digitais (novidade aquela época, espécie de Documento eletrônico que lhe garante algumas facilidades de assinaturas eletrônicas e obrigatório para pessoas jurídicas com determinado faturamento e tambem para profissionais da área do direito, saúde etc. Veja que até hoje não sei explicar direito) por todo país onde tivesse uma demanda de emissões maior do que as agencias poderiam atender, então me deslocava para ajudar nesses postos. Passei semanas em Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Barueri e também realizei atendimentos na sede em São Paulo. O processo é controlado pela Receita Federal, super-rígido, e deveria ser o mesmo em todas as localidades, qualquer erro de digitação ou de falta de documentação causava cancelamento do certificado e transtorno para o (geralmente) empresário que era obrigado acompanhar todo processo para assinar o documento diante do testemunho dos agentes de registro (eu), ai começa o problema. Quando eu disse q o processo DEVERIA ser o mesmo em todos os lugares, é porque isso não saia de jeito nenhum dos vários arquivos de slides passados pelas camadas superiores e burocráticas da “organização”. Cada praça havia sua maneira de trabalhar com seus critérios e exigências, o que para mim era ruim, pois eu mudava de lugar constantemente. E sempre tinha “porque você faz assim? -  aqui é diferente” e claro, o lugar era diferente mas o processo deveria ser igual. Fora quando de um dia para o outro dependendo do tipo de certificado, mudavam as recomendações sobre documentos obrigatórios e não obrigatórios a serem levados pelos clientes e seus contadores, e por conta desse deslocamento de agentes nem sempre as infos chegavam a tempo as nossas mãos, então os certificados eram emitidos de maneira incompleta. Para se ter uma noção eu fiquei cerca de cinco meses na empresa e fui ter email para receber essas infos em meados de dezembro (comecei a trabalhar dia 3 de setembro depois de passar por treinamentos). Alem disso, os clientes que compravam o certificado nem sabiam o que estavam fazendo lá, sabiam que tinham que comprar e ir assinar alguma coisa. Isso a grande maioria que quando saia continuava sem entender porque tinha que fazer aquele “cartão”. Sem contar as viagens perdidas, muitas vezes tínhamos que mandar os clientes remarcar a emissão, pois faltava algum documento ou o sócio que deveria assinar em conjunto (eu cheguei a remarcar da mesma pessoa por duas vezes, eu pedia “x” documento, remarcava ai o cliente consultava o atendimento por telefone que dizia o contrario e ai o impasse estava feito e o certificado não emitido). Não sei como é a situação hoje, deve ter melhorado, até porque se tem mais conhecimento do serviço e mais concorrência, mas esse é um mal exemplo de gestão de comunicação que afetava o processo no qual eu estava envolvido, mas vai muito mais além, parecia e acho que até hoje não há preocupação em relação a imagem da marca, essa primeira parece boba mas fizeram questão de deixar claro quando éramos chamados para entrevista, o gênero da empresa é feminino portanto refiram-se como “A” e ainda é conhecido “O” Serasa, alem de ser uma enorme instituição privada com vários produtos e serviços que acham que é o SPC e apenas uma “analise de crédito”.

7.      O mercado de trabalho está cada vez mais exigente. Qual conselho você daria para os futuros Relações-Públicas?

Na terceira pergunta dei conselhos valiosos para ser um bom profissional de comunicação, alem daquilo ficariam dicas piegas que servem apenas para as ridículas, inúteis e arcaicas dinâmicas de grupo ainda aplicadas pelas empresas no seu processo seletivo.
Então mandarei uma dica para o estudante que quer ser profissional e realmente fazer o que gosta e gostar do que faz. Nós temos problemas sérios educacionais hoje quanto à estrutura das instituições de ensino, porém o ideal é sempre usar o estudo como fonte inesgotável de conhecimento, leia, se informe, o mundo vai muito alem do seu umbigo e do que seus pais um dia te convenceram que era certo e errado. A faculdade não é escada social, ela não dever servir apenas para esse incessante desejo de sermos ricos, ganhar fortunas, (ainda mais estudando comunicação, convenhamos), assim como a escola não deveria servir apenas para obrigatoriedade de passar no vestibular. Independente da área a ser seguida, é importantíssimo estudo de Sociologia, Historia, Filosofia e Direto, é preciso atender as demandas da sociedade para ser um bom profissional alem de que quanto mais expertise nessas faculdades mais respeito e condições de alcançar seus objetivos terá.    


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